Buscar
  • Colégio Del Rey

Educação Nutricional Infantil – a hora é agora!

Educação Nutricional é algo que deva ser focado e aplicado em crianças e no ambiente escolar?

R: Poderia responder essa simples pergunta de modo técnico e objetivo, mas prefiro reportar uma experiência vivida, que mudaria toda minha forma de pensar e aplicar Nutrição.


***


Pois bem, era um dia normal, o hospital cheio e eu estávamos passando visitas, prescrevendo dietas de alta, lendo prontuários, me inteirando de novos casos...

Quando um médico se aproximou e pediu que eu fizesse uma orientação dietética a uma paciente dele, uma jovem senhora, que havia passado por uma amputação de membro inferior (cortou a perna do joelho para baixo), decorrência das complicações da Diabetes.

Meu coração apertou... E não conseguiu mais estabelecer uma conexão equilibrada com meu cérebro.

Eu me perguntava mentalmente: ‘E agora, o que vou falar para ela? Não faz sentido algum... Nada que eu disser ou fizer vai reparar a dor que ela deve estar sentindo... Ainda terei que passar uma listinha terrível e interminável, de tudo que ela deverá evitar comer, quantas dores e perdas. ’

Entrei no quarto, e me deparei com aquela senhora que ainda não tinha seus 60 anos, sentada numa cadeira, com a cabeça apoiada em um dos braços sobre a cama. Quando me viu entrando, cumprimentou e esboçou um triste sorriso. Meus olhos rapidamente percorreram o vazio, onde um dia esteve uma perna, e parei nos olhos dela.

Puxei uma cadeira, e assentei ao seu lado.

Não sabia como começar aquela conversa, então algum anjo passou naquele momento e sugeriu que eu fizesse o seguinte: “Que tal, motivá-la a contar sobre a história dela?

E assim, eu fiz...

Fiquei por algum tempo absorta naquela história de vida, e percebi na fala simplória que faltou muitas informações ao longo de sua vida. De como aquela doença crônica, ainda sem cura, pode ser devastadora quando sai cortando pernas e cegando.

Ouvi respeitosamente todas suas dores, e perguntei se ela gostaria de entender sobre a Diabetes, e sua fisiopatologia. Ela respondeu que sim, mais percebi que sua resposta se dava por educação a minha paciência e gentileza em tê-la ouvido primeiro.

Assim eu fiz.

E no final, ouviria aquilo que mudaria minha vida para sempre...

“Doutora... nunca antes pude entender como hoje, como essa doença acontece dentro do corpo da gente, e como ela poderia ter sido controlada, eu sou da roça e tenho poucos recursos (teve um breve silêncio). Eu daria tudo para voltar a ser criança e aprender tudo que a Senhora me ensinou agora, com certeza estaria com minhas duas pernas.”

Naquele dia, eu ainda não sabia o que faria.

Mas de algo eu tinha certeza, estava no lugar errado.

Foi desse ponto que a Educadora Alimentar surgiu, e depois dia após dia, nasceria a - Fada Lilly. Teve toda uma trajetória, mas não vem ao caso agora. O que importa é apenas o propósito. Eu tinha que fazer algo que fizesse sentido para mim.

Educar, Nutrir e Encantar essas três palavras se fundiram no meu âmago, e algo muito mágico aconteceu.

A cada dia ficava mais claro que era preciso levar informações a um grupo alvo, que estariam sempre disponíveis ao aprendizado. Na sua maioria são possuidores de uma curiosidade e imaginação inesgotável e também donos de uma capacidade incrível de compreensão. Na escola, é onde estaria agrupado maciçamente, e no coletivo o ensinamento poderia ser mais divertido, leve e muito motivador. Levariam ainda, aquilo que foi compreendido adiante, e depois, com toda certeza repassariam as próximas gerações...

Sem contar, que com mudanças sutis e não menos eficazes no comportamento alimentar ainda na infância, poderia garantir para si próprio uma vida adulta plena e produtiva.

Porém, infelizmente hoje esse grupo está inserido em dados estatísticos que apontam uma triste realidade.

Estão obesos como nunca antes estiveram, portadores de doenças crônicas que antes nem eram mencionados na 1ª e 2ª infância (pré-diabéticos, hipertensos, dislipidêmicos, e até casos de osteoporose com 11 anos de idade, pode isso?!)

Tudo por que tolhidos de gastar energia. Deveriam estar brincando, pulando, correndo, andando de bicicleta e recebendo a luz solar se não fosse a falta de segurança pública. Então, passam boa parte do tempo em cima de sofás em seus tablet´s, vídeo games, e smartphones.

São o público alvo da indústria alimentícia, que preocupa apenas em matar a fome enchendo barriguinhas com muitas calorias vazias.

E seus pais? Esses estão trabalhando... Para que não falte nada a eles...

Pais que com toda certeza são de outros tempos...

Existiam muitos casos de desnutrição no Brasil, há três ou quatro décadas atrás, e ser ‘gordinho’ soava quase como um elogio, vindo das tias-avós. Ainda tiveram o privilégio de brincarem livremente na rua, quando retornavam da escola. Naqueles tempos, ter mesa farta era um luxo...

E era luxo mesmo, porque quase todos os alimentos eram naturais de fato, e não fake food (inventei esse termo agora, e gostei dele).

Comida de mentira, que nada nutri. Que vem em pacotinhos bonitinhos ou que trazem brinquedinhos e coisinhas assim...

Que atrai a atenção, mas não corresponde a expectativa primordial que é oferecer elementos necessários para que um organismo possa crescer e desenvolver sadio, de fato.

Hoje, sou basicamente a ‘garota propaganda’ do Papai do Céu e/ou da Mãe Natureza. Afinal, alguém tem que defender os alimentos in natura, contar sobre suas mágicas e verdadeiras propriedades nutricionais que geram saúde, crescimento, força, rapidez, inteligência, beleza, entre outros atributos.

Posso afirmar com toda certeza, que vivo no paraíso planetário do mundo da nutrição, sendo fada nutricionista.

E que lugar de aplicar Educação Nutricional é na carteira da escola e nunca na cama de um hospital.

Desejo que isso faça sentido a você, como fez para mim...

Acho que finalmente, consegui responder à pergunta inicial.

Qual é a próxima pergunta!? (Rsrs)


Fada Lilly, Educadora Alimentar e Nutricionista – antiga Dra. Lilian Custodio.